A história e a credibilidade relacionadas aos programas sociais encontram-se em disputa nas discussões identificadas no Instagram, entre 15 e 16 de outubro, desdobrando-se em um embate pela confiança do eleitor na viabilidade e na autoria das propostas de cada candidato à Presidência da República.
As discussões sobre programas como o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Farmácia Popular balizaram essa disputa, colocadas sobretudo por atores que apoiam o atual presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto os perfis simpáticos ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) mobilizaram questionamentos sobre a honestidade do petista e conteúdos que associam a direita à agenda social.
A análise do ecossistema político-eleitoral nacional no Instagram, entre 15 e 16 de outubro, reuniu 61.206 publicações processadas, que registraram 33.219.811 comentários, 227.870.289 curtidas e 3.001.522.579 visualizações, totalizando 261.090.100 interações (curtidas mais comentários). A partir de termos relacionados à política nacional, os dados foram processados em um grafo de atores, permitindo identificar os perfis de maior destaque, suas conexões e a formação de grupos nas discussões da plataforma.
Apelo histórico
Uma parte dos atores desse ecossistema político-eleitoral apresenta conteúdos que associam a credibilidade para promover avanços sociais ao histórico de realizações e à defesa da continuidade do governo federal. Há também apresentação de números estatísticos para sustentar os argumentos sobre os impactos das políticas públicas ao longo do tempo.
Esse achado é identificado em atores como Ingrid Isabely, do perfil @ingrid_isabelyy (mais de 723 mil curtidas), e Patricia Contente, do perfil @patycontente1 (4,5 milhões de visualizações), que atuam na defesa direta dos benefícios sociais criados no país e na comparação histórica com os anos anteriores aos governos do PT e com a posterior gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Um dos atores que aparecem nessa discussão é Giovanna Bandeira (@giovannabandeirx), com foco na narrativa de que o atual mandatário foi o único a tirar o Brasil do mapa da fome. O conteúdo gerou mais de 741 mil curtidas e 3,3 milhões de visualizações no Instagram. A tônica de credibilidade ganha força com Rafael Primo (@rafael.primo.rp), que registrou 1,7 milhão de visualizações com o argumento de ter mudado sua posição política. Apresentando-se como ex-bolsonarista, afirmou ter passado a observar "entregas e não apenas discursos", citando investimentos do Novo PAC.
Essa abordagem ainda se desdobra no ecossistema com manifestações de Junior Gomes, do perfil @eujuniorgomes, que gerou 1,3 milhão de impressões, com foco na narrativa prospectiva de que o governo federal precisa de mais tempo para ampliar o que o perfil apresenta como avanços na área social.
Ataques morais e agenda social
Em contraponto, atores da oposição questionam a honestidade do presidente Lula e a credibilidade de suas declarações sobre políticas sociais. O perfil do senador Sergio Moro (PL), @sf_moro, registrou mais de 4,8 milhões de visualizações e 664 mil curtidas com um conteúdo que acusa o presidente de mentir à população. A publicação associa a discussão sobre entregas sociais a ataques morais contra o candidato à reeleição, ao questionar sua honestidade e retomar casos de corrupção associados ao PT.
Simultaneamente, publicações de apoio a Flávio Bolsonaro associam o candidato à continuidade de programas sociais. O perfil de sua esposa, Fernanda Bolsonaro (@fernanda.bolsonaro), alcançou 1,1 milhão de visualizações com postagens nas quais afirma que benefícios consolidados, como o Farmácia Popular, seriam mantidos sob governos conservadores. Esses conteúdos contestam a associação exclusiva da agenda social à esquerda e apresentam a manutenção dos programas como um compromisso de uma eventual gestão de Flávio.


