As articulações partidárias em torno das candidaturas de Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos) dividiram espaço com decisões da Assembleia Legislativa sobre o Orçamento de 2027 e acontecimentos da Câmara de Vitória na coluna De Olho no Poder, da jornalista Fabiana Tostes, no Folha Vitória, durante o segundo turno das eleições de 2026 no Espírito Santo.
A análise de 19 publicações, entre 5 e 23 de outubro, mostra que, enquanto partidos e lideranças reorganizavam seus apoios, o Legislativo estadual aprovava mudanças nas regras de distribuição de recursos públicos. A colunista também abordou os resultados das urnas e a composição da Assembleia eleita para assumir em 2027.
O levantamento, realizado pelo Laboratório de Internet e Ciência de Dados da Universidade Federal do Espírito Santo (Labic/Ufes), no âmbito do projeto IA para Democracia, em parceria com a Fapes, identificou quatro agrupamentos na rede de palavras: verde, associado às campanhas e articulações políticas; amarelo, relacionado aos resultados eleitorais; rosa, concentrado nas questões legislativas e orçamentárias; e ciano, ligado ao processo de cassação na Câmara de Vitória.
Entre os termos mais frequentes estão “ricardo”, com 96 ocorrências, “votos” (83), “pazolini” (56), “emendas” (45) e “assembleia” (44). Esses números representam a frequência das palavras na rede, não a quantidade de reportagens sobre cada assunto.
Uma classificação complementar dos títulos das 19 publicações identificou nove chamadas sobre alianças e bastidores de campanha, quatro relacionadas aos resultados e desdobramentos eleitorais, três sobre questões orçamentárias e outras três sobre acontecimentos na Câmara de Vitória. A divisão considera o assunto principal de cada título, sem excluir a presença de outros temas nos textos.

Apoios e divergências partidárias
O núcleo verde reúne termos como “ricardo”, “pazolini”, “campanha” e “partido”, associados às articulações políticas após a votação de 4 de outubro.
No primeiro dia do período analisado, Fabiana abordou a disposição de Ricardo para dialogar com lideranças do PT, após Helder Salomão terminar o primeiro turno na terceira colocação, com 323.483 votos. A aproximação com o eleitorado petista ganhou importância diante da diferença de 329.236 votos que separava Ricardo de Pazolini.
Em 6 de outubro, a jornalista noticiou a adesão do PSD à candidatura de Pazolini. Dois dias depois, informou uma mudança na coordenação da campanha de Ricardo: a saída do prefeito de Viana, Wanderson Bueno (Podemos), e sua substituição pelo secretário estadual Álvaro Duboc.
A reorganização dos apoios ganhou novos desdobramentos em 10 de outubro, quando a direção nacional do Podemos declarou apoio a Pazolini, embora o partido integrasse formalmente a coligação de Ricardo.
A decisão provocou divergências internas. O presidente estadual da legenda, Gilson Daniel, manteve o apoio ao emedebista, enquanto Wanderson classificou a orientação nacional como inaceitável e admitiu deixar o partido caso a direção estadual adotasse o mesmo posicionamento.
No dia seguinte, a direção nacional do União Brasil também anunciou apoio a Pazolini, apesar de integrar a coligação de Ricardo.
Em 15 de outubro, a coluna mostrou a reação do candidato do MDB às decisões das duas legendas. Ricardo procurou reduzir a importância das manifestações e afirmou que concentraria sua campanha no diálogo direto com os eleitores.
O PT voltou à cobertura em 19 de outubro, quando o presidente estadual do partido, João Coser, declarou apoio a Ricardo e pediu votos para o emedebista e para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito à Presidência da República. A reportagem também recuperou divergências anteriores entre Ricardo e o PT, além das dificuldades políticas envolvidas nessa aproximação.
Resultados das urnas e nova Assembleia
O agrupamento amarelo, formado por palavras como “votos”, “deputado”, “casagrande” e “eleição”, está relacionado aos resultados do primeiro turno e aos seus desdobramentos políticos.
Em 5 de outubro, Fabiana publicou uma análise sobre os resultados das eleições para o governo do Estado, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa, examinando como a votação alterou a posição de diferentes lideranças no cenário político capixaba.
Dois dias depois, apresentou o perfil da Assembleia eleita para assumir em 2027, destacando a distribuição das bancadas, a presença de diferentes campos ideológicos e as possíveis relações dos novos deputados com o futuro governo.
Também em 7 de outubro, a jornalista analisou o desempenho de candidaturas apoiadas por lideranças políticas capixabas, incluindo situações em que o respaldo de políticos com trajetórias eleitorais consolidadas não resultou na eleição de seus aliados.
Em 8 de outubro, a coluna noticiou a intenção da federação Psol/Rede de recorrer à Justiça Eleitoral para questionar votos atribuídos ao PSD, diante de suspeitas de irregularidades relacionadas à cota de gênero. O PSD contestou as acusações.
Emendas e mudanças no Orçamento
O núcleo rosa reúne palavras como “emendas”, “assembleia”, “orçamento” e “LDO”, relacionadas às alterações nas regras orçamentárias e à relação entre os Poderes Executivo e Legislativo.
Em 14 de outubro, Fabiana publicou uma entrevista com Ricardo sobre a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que instituiu as emendas parlamentares impositivas no Espírito Santo. O emedebista negou que a iniciativa tivesse sido combinada com o Palácio Anchieta, embora parlamentares da base governista tenham apoiado a medida.
A proposta estabeleceu o limite de 1,55% da Receita Corrente Líquida para as emendas parlamentares, com estimativa de aproximadamente R$ 435 milhões para 2027, distribuídos entre os 30 deputados estaduais.
Em reportagem de 17 de outubro, a jornalista examinou os efeitos políticos da mudança. Até então, a liberação dos recursos dependia de negociações com o Executivo. Com as emendas impositivas, os parlamentares passaram a contar com a previsão de execução obrigatória dos valores, conforme as regras estabelecidas, modificando a relação com o governo do Estado.
A questão orçamentária voltou à coluna em 22 de outubro, após a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que incorporou as emendas impositivas e modificou os critérios de cálculo dos repasses destinados aos demais Poderes.
A reportagem destacou a rapidez da votação e os efeitos financeiros previstos para a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública.
Campanha e administração estadual
A relação entre as articulações eleitorais e as decisões orçamentárias aparece na publicação de 23 de outubro, quando Fabiana informou que Álvaro Duboc havia deixado a coordenação da campanha de Ricardo para reassumir suas funções no governo do Estado.
O retorno ocorreu para acompanhar os desdobramentos da LDO e das alterações orçamentárias aprovadas pela Assembleia.
Duboc havia assumido a coordenação após a saída de Wanderson Bueno, que retornou à Prefeitura de Viana ao término do primeiro turno. Com a volta do secretário ao governo, a campanha passou a ser coordenada por Givaldo Vieira e Mateus Mussa.
O episódio conecta os núcleos verde e rosa da rede de palavras. Enquanto Ricardo buscava consolidar apoios para a votação de 25 de outubro, integrantes do governo avaliavam os impactos das novas regras orçamentárias sobre a administração estadual.
Cassação na Câmara de Vitória
A política municipal aparece no núcleo ciano, que reúne palavras como “baiano”, “vereador”, “justiça” e “cassação”, associadas ao processo de cassação de Baiano do Salão (Podemos), na Câmara de Vitória.
Em 16 de outubro, Fabiana informou a data da sessão especial convocada para julgar o pedido de cassação do parlamentar por quebra de decoro. Baiano havia sido condenado, em primeira instância, a 31 anos de prisão por lesão corporal e estupro de uma criança de 5 anos e recorria da decisão.
No dia 20, a coluna registrou a votação que resultou na cassação do mandato por 18 votos. Ainda naquela data, apresentou o perfil de Tião do Jaburu (Podemos), primeiro suplente indicado para assumir a cadeira.
Os agrupamentos da rede permitem identificar conexões entre os assuntos abordados, mas não determinar, isoladamente, a quantidade de reportagens sobre cada tema ou eventuais posicionamentos da jornalista. A análise considera 19 publicações entre 5 e 23 de outubro, sem registros dos dias 24 e 25.

